21 de set. de 2006

Diálogos em cena


Na ultima sexta feira, dia 15 de setembro, a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Cônego Matias Freire foi palco para mais uma apresentação da esquete “que droga de droga é essa?”. Esta peça faz parte da proposta educativa das Rodas de Diálogo do Projeto Fala Garotada e é levada para cinco escolas da grande João Pessoa. Com essa apresentação do grupo de teatro de jovens, a AMAZONA promove uma abordagem dinâmica e interativa a respeito de temas vivenciados cotidianamente pelos alunos de cada escola.

O projeto Fala Garotada vem sendo desenvolvido há 3 anos e tem o patrocínio da Petrobras. Nesta última apresentação, cerca de 30 alunos assistiram à peça e ao diálogo subseqüente. Atuando, dessa forma, dentro do intuito do Projeto que é trabalhar a multiplicação do conhecimento através de seus pares. Ou seja, cada jovem que participa de determinada Roda de Diálogo tem o potencial repassar aquelas idéias aos seus amigos de escola, de bairro e familiares.

Dentro desta ultima apresentação houve a participação de praticamente todos os alunos. Colocando em debate questões que geraram certa polêmica, como o uso de bebidas alcoólicas aos finais de semana, visto de forma normal por uns e uma droga como outra qualquer pelos demais. Colocando em uma sinuca de bico o alcoolismo como doença e o consumo de álcool dentro de um contexto social cultural.

Outro ponto crucial despertado pela peça “Que droga de droga é essa?”foi o posicionamento dos cidadãos com relação aos usuários. Neste instante vale o questionamento de um dos alunos: “E se fosse você?”. Sacudindo a discussão, e aproximando o tema para perto de nós. Pois que na maioria das vezes achamos que o problema é só com o vizinho, com um conhecido distante, apenas do lado de fora do vidro dos nossos carros.

11 de set. de 2006

Um Grito pela não re-exclusão


Movimentos sociais, entidades e pastorais de João Pessoa promoveram na última quinta, dia 7 de setembro, o 12º Grito dos Excluídos. Enquanto o desfile cívico oficial acontecia na Avenida Duarte da Silveira, a AMAZONA, a APROS, o MST, estudantes da UFPB, Pastoral dos Migrantes, Movimentos de Luta por Moradia, Consulta Popular e demais movimentos sociais exprimiam a indignação do povo paraibano diante de situações de exclusão.

A organização do Grito entrou em contato com o Major Guedom, responsável por organizar o Desfile Cívico, Estudantil e Militar do 7 de Setembro, para que pudesse compor-lo, juntamente com outros grupos. Mas, em virtude de uma seleção de entidades que poderiam participar, os integrantes do Grito dos Excluídos ficaram redundantemente de fora do desfile.

Ainda assim, os participantes da manifestação tentaram caminhar até as proximidades da avenida Duarte da Silveira. Com o intuito de ecoar no ouvido da sociedade o Grito daqueles que estão à margem das políticas do nosso país. Mas logo foram impedidas de seguir adiante por policiais do Choque.

Os policiais impedindo os manifestantes de caminhar, num clima de repressão, aos já tão reprimidos setores de nossa sociedade, trouxeram uma grande contribuição para o fortalecimento e divulgação dos ideais de mobilização, ética e cidadania. Se o Grito não participou da comemoração oficial do dia da independência, teve, por outro lado, um destaque na mídia e repercutiu na sociedade bem mais do que a atuação da Cavalaria da Policia militar, preterida na escolha para o desfile cívico.

Em sua 12ª edição o Grito dos Excluídos mostrou sua proposta para uma nova nação. Assim expressa neste trecho da “Carta do Grito dos Excluídos em João Pessoa – PB” :

“Este é o nosso sonho e o sonho do povo brasileiro. Muitas vezes, por causa da dureza da vida, nós esquecemos o sonho. Mas ele continua vivo em nossas mentes e em nossos corações. Basta lembrar que ele retorna. Construir uma nova nação: eis aí o motivo de nosso GRITO e a razão de nossa esperança.”

6 de set. de 2006

Atchim!!!


Se acaso soubesse que o autor do espirro fosse portador de HIV, o que você faria? Sairia de perto, chingaria, olharia atravessado ou cederia a ele um lenço de papel? É difícil prever nossas reações diante de sitações um tanto quanto polêmicas. Dizer-se tolerantes ou mascarar o preconceito são atitudes que muitas vezes NÓS tomamos.

A todo instante surgem campanhas de convívio com soropositivos, e todo dia nos é repetido que tosses, espirros, copos, talheres, toalhas, piscinas e picadas de inseto, abraços e beijos não transmitem o vírus da AIDS. Mas ainda assim se perpetuam como mito, numa sociedade paradoxalmente mais cientificista, mais lógica, e presa a (pré)conceitos morais não comprovados pela ciência.

Afirmações como a do cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, dizendo que o uso dos preservativos não garante a prevenção contra a Aids e que, pelo contrário, pode ser um fator de propagação da doença, vão de encontro ao que dizem os cientistas. Posicionamentos políticos ou ideológicos da Igreja à parte, o fato é que se usado de forma correta, abrindo a embalagem com as mãos e usando lubrificantes à base de água, o preservativo tem entre 90 e 95% de eficácia na prevenção da transmissão do HIV, segundo o site aids.gov.br .

É preciso ir além dos mitos, procurar a realidade dos fatos, principalmente se informar. E se informar com qualidade, pois que a internet, com seu enorme fluxo de informação, é terreno fértil para a propagação de mitos que privam a sociedade de um convívio mais humano e tolerante.